EUA revogam uso emergencial da cloroquina contra Covid-19 e Brasil amplia orientação para tratamento precoce

Em 15 de junho (segunda-feira), o destaque para duas diferentes notícias no continente americano sobre um mesmo medicamento: a cloroquina. A droga que tornou-se ponto central das muitas vertentes e discussões médicas em todo o mundo para o tratamento (ou não) da doença provocada pelo novo coronavirus.

No norte do continente, autoridades sanitárias dos Estados Unidos retiraram a autorização para o uso emergencial do medicamento, permitido para adultos e adolescentes que estavam hospitalizados. A justificativa da FDA, agência americana equivalente à nossa Anvisa, para a revogação: “com base na totalidade das evidências científicas disponíveis, não é mais razoável acreditar que o produto possa ser efetivo em tratar ou prevenir a Covid-19.”

Na mesma tarde de 15 de junho, mas no hemisfério sul, o Ministério da Saúde brasileiro informou que vai ampliar as orientações de uso do medicamento para o tratamento precoce da Covid-19 em dois perfis de pacientes: crianças e grávidas. Segundo a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do MS, Mayra Pinheiro, essas drogas que já eram utilizadas no Brasil (a hidroxicloroquina, no tratamento de malária e algumas doenças autoimunes, como o lúpus) ganham um novo capítulo com a reedição de nota técnica do MS, incluindo agora dosagens e critérios para orientar os médicos que decidirem receitar o medicamento também para crianças e grávidas.

No Brasil, o MS mudou o protocolo para o uso de cloroquina e hidroxicloroquina em 20 de maio, ampliando seu uso também para os casos leves no SUS, mantendo a necessidade de autorização. Até então, a pasta recomendava esses medicamentos apenas para casos graves, quando médico e paciente concordam com o tratamento. O Comitê Científico e a Diretoria da Sociedade Brasileira de Imunologia divulgaram amplamente documento afirmando “que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que utilizaram hidroxicloroquina”. Já o Conselho Federal de Medicina (CFM) condiciona seu uso ao critério médico e consentimento do paciente.

OMS E OS TESTES – A Organização Mundial de Saúde vai discutir se mantém testes com hidroxicloroquina após EUA suspenderem uso da substância contra a Covid-19. O diretor de emergências da entidade, Michael Ryan, afirmou que o grupo executivo dos ensaios Solidariedade deve se encontrar nesta semana para decidir sobre o braço dos testes que usa a substância. “À luz de outros dados, nós vamos olhar para a utilidade de continuar com certos braços do ensaio, baseados na probabilidade de acharmos um resultado positivo”, declarou Ryan.

Os testes com a hidroxicloroquina já haviam sido suspensos pela OMS no dia 25 de maio, mas, depois, foram retomados. Os experimentos com o remédio fazem parte de um conjunto de ensaios clínicos globais, chamados “Solidariedade”, que buscam um tratamento para a Covid-19. Normalmente, a hidroxicloroquina é usada para tratar alguns tipos de malária e de doenças autoimunes, como o lúpus. A substância surgiu como uma possibilidade de combater o novo coronavírus, mas vários estudos já apontam que ela não tem eficácia contra a doença.

Fonte: com informações do UOL – G1 – Estadão e CNN Brasil

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