Mais de 11 mil profissionais da saúde são infectados no Paraná. AML avalia esgotamento

Desde o início da pandemia 11.285 profissionais da saúde do Paraná foram diagnosticados com Covid-19. Destes, 126 morreram. Dados da Sesa (6/12) apontam que a maior parte dos casos positivos foi entre enfermeiros – 4.364 diagnósticos e 39 mortes. CRM-PR enumera 21 médicos paranaenses vitimados pela doença até o dia 4 de dezembro último.
Em entrevista à Folha de Londrina (8/12), a presidente da Associação Médica de Londrina, dra Beatriz Emi Tamura, fala sobre a sobrecarga de trabalho das equipes especializadas, avalia algumas das razões para o esgotamento e pondera sobre a importância dos cuidados continuados da população para evitar ou reduzir a contaminação: “A ação coletiva de prevenção e de cuidados para evitar a propagação do novo coronavírus precisa fazer parte da rotina da população. É preciso bom senso, pois todos nós [população] somos afetados…”


Mais de 11 mil profissionais da saúde são infectados no Paraná
Folha de Londrina – 8 de dezembro
Reportagem de Viviani Costa

Mais de 11 mil trabalhadores da área da saúde no Paraná foram infectados pelo novo coronavírus desde o início da pandemia. Dos 11.285 profissionais diagnosticados com Covid-19, 126 morreram. A maior parte dos casos positivos foi confirmada em enfermeiros. Foram 4.364 diagnósticos no Estado, 39 morreram.
Os números constam no boletim epidemiológico divulgado pela Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) no domingo (6). Agentes comunitários de saúde, profissionais do setor administrativo, farmacêuticos, dentistas, fisioterapeutas, assistentes sociais, socorristas e outros trabalhadores da área estão entre os infectados listados pela Secretaria de Saúde.

A presidente da AML (Associação Médica de Londrina), Beatriz Tamura, reforça que os profissionais estão sobrecarregados e vivenciam uma rotina intensa de trabalho que já dura quase nove meses, considerando o início da pandemia no Paraná. “Os pacientes da Covid19 demandam muitos cuidados. São pacientes mais graves, mais complexos e, apesar das equipes estarem habituadas a trabalhar sob pressão, elas também estão esgotadas física e mentalmente. É uma equipe com recursos humanos limitados. Há uma sobrecarga de horário, de atividades e a necessidade de muitas técnicas”, afirma.

“Para tratar os pacientes, os profissionais precisam utilizar equipamentos de proteção individual. A utilização deles demanda técnica para colocação e retirada e faz com que eles não possam estar de uma forma constante se hidratando, se alimentando e isso também já os torna mais fragilizados. É uma somatória de situações que faz com que essa equipe, composta por vários profissionais, esteja realmente sobrecarregada. A equipe toda está bastante debilitada, bastante esgotada”, acrescenta.

Para Tamura, a ação coletiva de prevenção e de cuidados para evitar a propagação do novo coronavírus precisa fazer parte da rotina da população. Os cuidados auxiliam na redução do número de casos e, consequentemente, na diminuição da ocupação de leitos nos hospitais. “É uma contribuição pensando no todo. O ideal é que a população continue a tomar as medidas que foram adotadas com relação à utilização de máscaras, à higienização das mãos, ao distanciamento social e, nesse momento, o bom-senso deve prevalecer. Todos nós somos afetados”, comenta.

A Sesa já registrou 301.458 casos de Covid-19 no Paraná e 6.414 pessoas morreram.

Fonte: Reprodução Folha de Londrina – 08/12/2020

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