MEMÓRIA DA SAÚDE

O trabalho de preservação documental é realizado por estagiários dos cursos de arquivologia, biblioteconomia e história da UEL, auxiliados por profissionais do Museu e supervisão da diretora e historiadora Regina Alegro

Iniciativa da AML em parceria com o iNESCO-Instituto de Estudos em Saúde Coletiva e o Museu Histórico da UEL, projeto está recuperando fotografias, documentos e objetos do Centro de Documentação e Memória da Associação Médica. O resgate do acervo histórico da AML preserva também a memória da cidade de Londrina.

Quando se busca contar a história de Londrina, inevitavelmente a narrativa caminha para a trajetória da medicina na cidade. Paralelamente à fama herdada pela produção cafeeira, o município se constituiu como um centro de oferta de serviços, entre os quais estão os de saúde, que acompanharam e impulsionaram o desenvolvimento londrinense desde o começo. Pensando nisso, a Associação Médica de Londrina e o Instituto Nacional de Desenvolvimento da Saúde e Ecologia-Indese formalizaram em 2017 um termo de convênio junto ao Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Inesco) e ao Museu Histórico da Universidade Estadual de Londrina. A iniciativa visa o resgate e a preservação do acervo documental do Centro de Documentação e Memória da AML que, por meio de materiais como fotos, correspondências, áudios e vídeos, relatam eventos importantes das histórias médica e londrinense, sempre entrelaçadas uma à outra.

Segundo a diretora do Museu, a historiadora Regina Alegro, a preservação do acervo médico londrinense é fundamental para a cidade. “Um aspecto importante na formação de Londrina é o de que a saúde sempre foi uma prioridade, tendo acompanhado seu desenvolvimento. Quando a Companhia de Terras veio pra cá, já trouxe consigo um hospital. A história da medicina é também a história de Londrina, por isso nos preocupamos com essa coleção: ela fala de quem somos pelo ponto de vista da saúde”, afirma.
Atualmente (dezembro 2018), o projeto de recuperação da memória médica passa por uma fase de descrição das fotografias históricas, reunindo informações sobre as imagens para futura catalogação. A etapa envolve a higienização do material e sua descrição com informações sobre o título, cores, local, data, personagens, tamanho, entre outros.

De acordo com a ex funcionária do Museu Histórico e atual colaboradora voluntária do projeto, Célia Rodrigues, até o momento foram analisadas aproximadamente 3 mil fotografias em papel. Ela conta que, finalizada esta fase, será iniciado o processo de catalogação. “O que estamos fazendo agora é um inventário total para, em seguida, dar início à catalogação e acondicionamento do material. Essa etapa vai envolver a digitalização das fotografias, uma investigação mais aprofundada sobre seu conteúdo e futuramente sua disponibilização para consulta”, explica.

Inúmeras fotos retratam o elo entre o desenvolvimento histórico de Londrina e atuação da AML, como na fundação da Irmandade Santa Casa de Londrina e na criação da Faculdade de Medicina. A recuperação de todo o material histórico do Centro de Documentação e Memória da AML, que tem sido organizado de acordo com as normativas museológicas brasileira, tem o objetivo de constituir o acervo permanente de um museu próprio – o Museu da Medicina de Londrina. O trabalho é realizado por estagiários dos cursos de arquivologia, biblioteconomia e história da UEL, que são auxiliados pelos profissionais do Museu. Grande parte do material já havia sido catalogado pela historiadora Amélia Tozzeti Nogueira, uma das pioneiras londrinenses e colaboradora da AML junto aos assuntos de preservação da memória.

Segundo Regina Alegro, quando foram interrompidas as atividades no Centro de Documentação e Memória, a equipe do Museu fez contato com a AML a fim de preservar o material, temendo os efeitos do tempo sobre alguns documentos encaixotados e sem o devido acondicionamento. “Nesse contato, realizado na gestão anterior da AML, tivemos uma resposta favorável da médica Beatriz Tamura. Muito sensível à causa, ela apoiou a ideia por meio do Indese, sob sua direção na época”, conta.

Outros médicos colaboraram para formalização do termo de convênio, de acordo com a diretora. ”Havia uma preocupação com esse material, mas com a ajuda de mediadores foi possível essa parceria entre o Museu e a AML, que tem apresentado bons resultados. O convênio foi possível graças à colaboração de médicos como João Campos e Márcio Almeida (da direção do Inesco), sem contar a atuação da atual presidente da AML, que foi determinante para efetivação do sistema de comodato”, completa.

Além das fotografias, o acervo da Associação Médica dispõe de uma série de outros documentos. São correspondências, livros, periódicos médicos, recortes de jornais, datados a partir de 1940 que retratam o desenvolvimento da história médica. Entre os materiais estão ainda depoimentos e entrevistas com os médicos pioneiros, contidos em fitas cassetes. Há também objetos tridimensionais como instrumentos médicos e mobília de consultórios, sem contar a coleções de livros e discos, estes somando mais de 3 mil vinis. O trabalho com os documentos em questão é coordenado pela bibliotecária do Museu, Rosângela Haddad, que tem assistido os estudantes.

Para a análise do material, os colaboradores e estagiários realizam periodicamente mutirões visando a preservação do acervo, separando, higienizando, contando, listando e fazendo “tudo o mais que precisa ser feito”. Pelo termo de comodato, o Museu assumiu o cuidado com o acervo da AML por tempo indeterminado. Independente do tempo de execução, a prioridade é garantir a preservação do acervo. Como resume a diretora Regina Alegro, “o objetivo não é vislumbrar um fim próximo para esse trabalho e sim garantir a preservação do material, fundamental para a história de Londrina, independente do tempo que esse processo leve”.

 Fonte: Assessoria AML – Matéria publicada no Jornal da AML-Dezembro 2018                       

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